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17/01/2022 às 17h26 - atualizada em 18/01/2022 às 08h46

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Maceió / AL

Jovem denuncia que irmão foi baleado em operação na Vila Emater: 'Ele é inocente'
Família denuncia truculência durante ação policial e ameaça de PMs
Jovem denuncia que irmão foi baleado em operação na Vila Emater: 'Ele é inocente'
Jovem foi baleado pelas costas durante operação na Vila Emater. FOTO: reprodução

Jean Carlos dos Santos Filhos, de 22 anos, denunciou em suas redes sociais que seu irmão, Walquides Santos da Silva, de 26 anos, está sendo acusado por policiais da Rotan (Rondas Ostensivas Táticas) por um crime que não cometeu. Walquides está hospitalizado desde que foi baleado em uma operação ocorrida no dia 13 de janeiro, na Vila Emater, em Maceió. Desde então, Jean relatou que tem sido ameaçado pelos PMs.


A reportagem do Acta entrou em contato com a assessoria da Polícia Militar e aguarda a resposta.


Ao Acta, Jean relatou que o irmão está com prisão preventiva decretada e que deve ser preso assim que receber alta do Hospital Geral do Estado (HGE). "Falaram que Walquides foi encontrado com cocaína, com arma, mas é tudo mentira. Meu irmão é trabalhador, é barbeiro", disse.


Jean ainda revelou que os policias querem que ele não vá buscar informações do irmão no HGE, onde ele segue internado. "Querem que a gente pare de tentar provar a inocência dele", disse. "Os policiais foram onde meu irmão mora e não acharam o que procuram. Como ele foi baleado por eles, os policiais estão culpando meu irmão para que a operação não seja considerada como um fracaso".


Além de lidar com a situação do irmão, Jean disse que está sendo ameaçado pelos policiais. "Querem que eu assuma um crime que não cometi. Colocaram droga da minha mão, querem que eu admita conhecer pessoas que eu não conheço", revelou. "Não tenho nenhuma passagem pela polícia", completou.


Em live transmitida em uma rede social, o jovem justificou por que publicou a denúncia. "Estou deixando registrado que qualquer coisa que aconteça comigo a partir de agora, vocês vão estar cientes de que foi a polícia", afirmou. "Estou em um local escondido porque ao invés de a polícia proteger o cidadão de bem, está acusando um cidadão de bem de uma coisa que ele não fez".


De acordo com Jean, as ameaças e perseguições começaram depois de uma operação ocorrida na última quinta-feira (13), que deixou Walquides ferido. Jean relatou que o irmão voltava de um atendimento em uma UPA, quando se deparou com uma operação da Rotam, na Vila Emater. Dentre os moradores que estavam no local, Jean explica que havia pessoas inocentes e pessoas que eram alvo da polícia. "Meu irmão, que é inocente, estava com uma mochila nas costas, começou a correr e sofreu disparos nas costas e nas nádegas", disse.


Walquides foi atendido no HGE. Lá, os irmãos foram orientados a registrar um boletim de ocorrência (BO). Já na madrugada do dia 14, Jean e seu outro irmão, Lenny, de 28 anos, estavam a caminho da Central de Flagrantes, no bairro do Farol, de moto, quando passaram por outra abordagem, realizada pelos mesmos policiais que estavam na operação ocorrida mais cedo. De acordo com Jean, se tratavam de dois homens e uma mulher. "Sofremos machismo, homofobia, transfobia, porque meu irmão é trans. Além de pressão psicológica", revelou.


 "Um policial pegou o meu endereço e do meu irmão e disse que segunda [dia 17] iria implantar muita droga nas nossas casas. Ele disse 'não se esconda, que eu lhe acho. Eu tenho 30 anos de polícia e não perco minha farda'", acrescentou.


"Disseram que eu tinha duas opções: entregar [o nome das pessoas] por bem ou por mal. Me mostraram fotos de pessoas que eu não conheço, dizendo que é meu irmão. E não é, meu irmão é trabalhador", completou. 


Diante da situação, os irmãos não registraram o BO naquela ocasião. O documento só foi registrado na madrugada desta segunda-feira (17).


Agora, Jean conta que toda a família está abalada. "Nunca pensei que fosse acontecer algo assim comigo. Meus irmãos estão com medo de sair, eu mesmo nem posso andar tranquilo, porque a qualquer momento eles podem me encontrar e fazer algo comigo. Minha família está com medo. Minha mãe está abalada psicologicamente, a base de calmantes"

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