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22/10/2022 às 18h14

Felipe Farias

Maceió / AL

É raro, mas, acontece
E quando acontece, é mais incontestável que uma imagem
É raro, mas, acontece
Pastor Ed René se espantou com palavras de outro reverendo: quem não educar suas crianças conforme a cartilha da esquerda terá os filhos confiscados. (Foto: reprodução)

Uma imagem vale por mil palavras, diz a máxima.


Porém, quando concatenadas, articuladas entre si, quase que pode se dizer que o inverso é ainda mais verdadeiro.


E geralmente é o que se dá quando vem de líderes religiosos.


E quando estes as usam para esclarecer, levar à verdade, encaminhar um raciocínio que faça descobrir, abrir a mente, produzir uma reflexão reveladora se revestem ainda mais da força que vem da própria e incontestável verdade.


Como diz a tão propalada passagem bíblica do Evangelho de São João, extraída do capítulo 8º, versículo três: “... E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.


E a propósito de revelação, talvez não seja à toa que outro texto bíblico de João, o Apocalipse, em inglês, se chama “The Book of Revelation” (O Livro da Revelação).


É o que se pode atribuir às palavras de entrevista do Pastor da Igreja Batista de Água Branca, em São Paulo (SP), concedida aos apresentadores Flávia Oliveira e Octávio Guedes, ao programa Estúdio I, da Globo News, no último dia 19.


Do trecho postado no perfil dedicado à bancada do PT no Senado, foram apenas 411, mas, se não são revelação, as palavras são uma reflexão primorosa:


“O uso da mentira é uma das maiores incongruências desse atual governo, que constrói a sua afirmação identitária a partir do versículo bíblico ‘Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará’ e faz uso diário de fake news e de mentiras.


“Por exemplo, outro dia, eu ouvi um pastor da Assembleia de Deus dizendo que as famílias cristãs que não educassem seus filhos na cartilha da esquerda teriam seus filhos confiscados pelo governo.


“Então, veja o absurdo a que se chega nessa tentativa de manipulação dessa consciência religiosa.


“Então, essa é uma das faces mais vergonhosas e especialmente porque me causa indignação o fato de que todo o discurso desse segmento religioso está na pauta de valores e especialmente para a área da sexualidade.


“Aquilo que a Damares falou do púlpito de uma igreja eu tenho constrangimento de falar na mesa do jantar da minha família. Mas, ela falou do púlpito de uma igreja. E isso relativo a uma fixação na sexualidade. É mais escandaloso o contingente dos nossos irmãos e irmãs brasileiros e brasileiras que passam fome, mas, não se fala de fome, não se fala de desigualdade, não se fala de miséria.


“Fala-se apenas da pauta de costumes porque isso mobiliza a consciência religiosa mais conservadora.


“Agora, essa questão das armas é outro absurdo.


“Alguém dizer que se Jesus se estivesse numa guerra, ele compraria uma arma é um equívoco absoluto porque, de fato, Jesus esteve numa guerra. Ele estive numa guerra contra o Império Romano. Ele esteve diante de uma força totalitária, autoritária, violenta e ele escolheu o caminho da não-violência.


“Ele escolheu o caminho de virar a outra face, perdoar setenta vezes sete, o caminho da compaixão, da misericórdia, do acolhimento, do amor.


“Eu não sei como é possível defender matar em nome de Deus, quando o Deus que se revela na pessoa de Jesus é um Deus que escolhe morrer para não matar.


“É um Deus que morre por amor, não é um Deus que mata por amor.


“E isto revela como a volúpia de poder político autoritário é tão incontrolável a ponto de manipular e distorcer aspectos tão fundamentais da fé cristã.


“Por isso que eu disse que fui ingênuo: eu achei que essas coisas já estavam superadas e que estava estabelecido para a História que a fé cristã é o caminho do amor, da misericórdia e da justiça.


“Mas, não; parece que para alguns é o caminho da violência, da intolerância e da exclusão”.

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Com a palavra, Felipe Farias

Com a palavra, Felipe Farias

Blog/coluna Felipe Farias tem 33 anos de carreira no jornalismo. Passou por vários veículos impressos e também pela TV. Atualmente, apresenta o "Com a Palavra", no YouTube do Acta; e também é comentarista no "Jornal do Acta". Neste espaço, você vai encontrar análises e comentários a respeito do cenário político local e nacional.
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