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Política

30/11/2022 às 21h08

Acta

MACEIO / AL

Bolsonaro bloqueia Orçamento Secreto após apoio de Lula a Lira
R$ 7,8 bilhões ainda não haviam sido liberados e Planalto manda não pagar mais nada neste ano. Decisão, que visa atingir tanto Arthur Lira qunato Lula, pode ser tiro no pé.
Bolsonaro bloqueia Orçamento Secreto após apoio de Lula a Lira
Após reunião entre Lula e Arthur Lira, Bolsonaro assina dois atos que suspendem pagamento do orçamento secreto, instrumento criado pelo seu próprio governo Créditos: Marcelo Camargo /Agência Brasil

O ainda presidente Jair Bolsonaro (PL) bloqueou os recursos do orçamento secreto para o restante do ano em dois atos assinados nesta quarta (30), um dia após reunião do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados. O PT e o PSB decidiram apoiar a reeleição de Lira também nesta terça (29), aproximação que desagradou o quase ex-presidente da República. O PT também deve apoiar a reeleição do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).


Como um garoto que tem propriedade da bola e resolve acabar com o jogo, Bolsonaro suspendeu o pagamento dos cerca de R$ 7,8 bilhões que ainda não haviam sido liberados para o pagamento das emendas de relator, o chamado orçamento secreto, que tinha R$ 16,5 bilhões reservados. Ou seja, aproximadamente 47% do recurso destinado ao instrumento criado pela atual gestão do Poder Executivo não serão mais pagos neste ano.


O presidente da República alega que faltam recursos para outras áreas com os sucessivos bloqueios que o governo precisou fazer para cumprir o teto de gastos - embora o teto tenha sido excedido em R$ 795 bilhões até agora em sua gestão. Como resposta, o centrão já articula alterar a PEC da Transição para incluir uma regra que torna as emendas secretas impositivas, o que obrigaria o Executivo a fazer os pagamentos ainda este ano e blindaria os repasses de cortes.


Tiro no pé


“Ele espera que isso vá obrigar o Lula ano que vem a refazer o orçamento secreto para gerar um desgaste. Mas pode ser um tiro no pé", avaliou Hugo Albuquerque, advogado e publisher no Brasil da revista Jacobin que participava da edição desta quarta do Jornal da Fórum quando recebeu a notícia, inicialmente divulgada por reportagem do Estadão. Ele acredita que Lira precisará do PT para se reeleger, especialmente após este ataque de Bolsonaro, o que pode fazer com que o presidente da Câmara não pressione a nova gestão para manter o instrumento.


Banho de política


Outro participante do Jornal da Fórum, o professor universitário Elias Jabbour questionou: “Será que o Bolsonaro acreditou que o Lira seria fechado com ele até o final? Sendo que nem o Ciro Nogueira vai ser...!”. Para Jabbour, enquanto Lula está "dando banho de política", Bolsonaro se apequena ainda mais. O autor de livros sobre a China considera o apoio do PT e PSB a Lira uma “vitória da grande política”.


"Então, na verdade, o Bolsonaro tentou dar um tiro no pé do Lira para evitar a reeleição dele, e isso pode se voltar contra ele", continuou Albuquerque. Para ele, comprar briga com o centrão neste momento pode gerar uma fatura alta para o atual presidente em 2023. "Bolsonaro vai precisar de muita ajuda ano que vem, porque ele pode realmente ir para a cadeia. O Bolsonaro corre um risco enorme", lançou, para em seguida concluir: "o Lira não vai engolir isso de graça".


Perdeu timing do golpe


O analista político diz que Bolsonaro "perdeu o timing do golpe" e não sabe como agir porque nunca perdeu uma eleição. Hugo Albuquerque acredita que Bolsonaro apostou todas as suas fichas nas manobras feitas para garantir a eleição no voto, incluindo a atuação da Polícia Rodoviária Federal no dia na votação do segundo turno e outras medidas que conseguiram "impedir que muita gente fosse votar".


"Como o Bolsonaro viu que perdeu na urna e o [presidente dos EUA Joe] Biden reconheceu rapidamente o resultado, ele perdeu o timming. Aí ele desapareceu, agora aparece dando uma dessas, que na verdade prejudica a ele próprio no ano que vem". O advogado ainda cita como erros o fato de o mandatário ter exposto seu partido, o PL e o presidente da agremiação, Valdemar Costa Neto, em uma ação de questionamento do resultado das eleições que gerou uma multa de R$ 22,9 milhões de reais à legenda. Também citou a discussão com a deputada federal Carla Zambelli em um jantar do PL ocorrido nesta terça. "De novo, é o Bolsonaro contra as mulheres. Ele não falou que o Roberto Jefferson fez ele perder a eleição, mas brigou com a Carla Zambelli no jantar, imputando a ela a derrota. Infelizmente, não é por uma pessoa sacar uma arma que vai fazer alguém perder eleição no Brasil de hoje. Infelizmente", argumentou.


 

FONTE: Revista Fórum

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