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12/01/2023 às 18h04

Felipe Farias

Maceió / AL

O rigor da lei e a diferença entre nós
A vontade dos cidadãos não está acima da lei – seja de que lado for; a diferença está entre quem reconhece o primado da lei e quem tenta desafiá-la
O rigor da lei e a diferença entre nós
(Edison Bueno/Photopress/Estadão Conteúdo)

No início da semana que sucedeu os atentados à democracia cometidos por terroristas bolsonaristas, em Brasília (DF), a Polícia Federal anunciou a liberação de 600 pessoas.


Era uma parte dos que tinham sido presos no acampamento golpista, montado havia sessenta dias em frente ao QG do Exército.


A justificativa para a liberação: eram idosos, mães com filhos pequenos e pessoas que apresentavam alguma doença, que entrava no rol das comorbidades.


Indignação, insatisfação, contrariedade.


Não. Não estou falando da ação dos bolsonaristas; o que os levou a protagonizar a maior presepada coletiva da história política recente do país.


Refiro-me à eventual reação dos que tiveram algum transtorno provocado pelos acampamentos golpistas ou, legitimamente, se indignou com os excessos que praticaram ou o excesso maior que representava a sua mera existência.


Dos que foram atacados, acuados, perseguidos ou agredidos em seu direito de ir e vir – em alguns casos, violência agravada pela omissão, quando não pela explícita conivência das autoridades, em diversos níveis.


Esta é a diferença entre os que estão de um lado e do outro da linha da legalidade.


Dentro, os que pagam impostos, que acatam resultado das eleições, que aceitam a contestação – ou que podem até não aceitar, mas, que não agridem os que pensam diferentes, não apontam armas para eles, não inventam notícias falsas para ataca-los ou os não os matam por causa disso.


Também considero que essas pessoas presas estavam no pleno exercício de suas faculdades, quando acampadas.


Continuavam na condição de idosos e portadores de comorbidades, embaixo de sol e chuva, dia e noite.


Quanto às crianças, quem não se indignou com as orientações de mantê-las em seu meio não por outra razão que não a de evitar uma dispersão mais rigorosa, caso a polícia tomasse a medida, caso as autoridades tivessem brios e moral para fazê-lo.


Precisou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, tendo a paciência extrapolada pelo terrorismo do fatídico domingo, 8 de janeiro, determinar – pela segunda vez – para que a presepada fosse, enfim, desfeita em todo o país.


Em outras palavras: as crianças estavam sendo usadas como escudos humanos.


Isso é coisa de patriota?


Há cidadão de bem – de verdade – que se passe a tal covardia?


É coisa de cristão?


Então, por que não responder nessas mesmas condições, agora, na prisão?


Por que não continuar presas, mesmo sendo idosas? Por que não continuarem presas e ter as crianças liberadas – e levadas para algum lugar aos cuidados de autoridades? Como, aliás, fez o “mito do mito”, o ex-presidente Donald Trump, com filhos de imigrantes ilegais presos nos Estados Unidos, durante seu governo.


Os pais e mães foram aprisionados e as crianças, retiradas de pertos destes, foram praticamente aprisionadas também – só que longe dos pais.


Era o que se acharia justo?


Era o que caberia no rigor da lei, para o tanto de violação que os golpistas cometeram?


É possível que alguns considerem assim.


Mas, não é o que diz a legislação, conforme as autoridades responsáveis pela medida.


E na condição de pessoas que respeitam o que é legal, que pagamos nossos impostos e acatamos o resultado de eleições (deixemos de fora a aceitação às contestações – o que, convenhamos, nem sempre é mesmo possível...), acatamos a liberação.


É essa a diferença entre nós e os bandos que integravam esses ajuntamentos golpistas.

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